Em pleno coração de Lisboa, no bairro histórico de Alfama, ergue-se uma construção que nos transporta diretamente aos séculos passados: a que muitos apontam como a casa mais antiga de Lisboa. Localizada na Rua dos Cegos, junto à Rua de São Tomé, esta casa continua de pé apesar das catástrofes naturais e das profundas transformações urbanas que abalaram a capital.
Mas mais do que apenas uma curiosidade histórica, este edifício é um elo visível entre o passado medieval e a Lisboa contemporânea, um convite para explorar, refletir e conectar-se com a alma da cidade.
Vamos descobrir a Casa mais antiga de Lisboa.
Conteúdo do Artigo
A origem da casa mais antiga de Lisboa
A casa mais antiga de Lisboa encontra-se em Alfama, um dos bairros mais antigos de Lisboa e, segundo diversos autores, um dos mais antigos da Europa.
Estima-se que tenha sido construída durante o século XVI — alguns apontam por volta de 1500.
A sua localização, na colina mais alta da cidade, junto ao castelo, favoreceu a sua conservação. Segundo registos, foram os “sólidos alicerces” e a dimensão modesta da casa que permitiram que resistisse aos tremores e à onda do terramoto de 1755.
Alguns pontos interessantes sobre a origem:
- A tipologia é típica de casas quinhentistas. Por exemplo, o destaque ao “ressalto do primeiro andar” (um piso superior que avança sobre o rés-do-chão) é uma característica medieval tardia ou de transição.
- A casa parece ter sido construída numa malha urbana mais antiga que o terramoto, ou seja, faz parte da rede histórica da Alfama pré-1755.
- A própria Rua dos Cegos e troços vizinhos, segundo relatos, eram ocupados por casas semelhantes que entretanto foram demolidas (na década de 1940) ou integradas em novas construções.
Elementos arquitetónicos e artísticos que a tornam especial
Embora modesta em tamanho, a casa mais antiga de Lisboa destaca-se por detalhes que merecem ser observados com cuidado.
O ressalto do primeiro andar
Uma das marcas mais evidentes da construção é um primeiro andar que avança sobre o rés-do-chão — algo hoje raro em Lisboa, mas que era comum nas casas de época quinhentista ou medieval tardia na cidade.
Este “beiral” ou “balcão” avançado ajudava a ampliar a habitação sem alargar o rés-do-chão, que muitas vezes correspondia a comércio ou arrumos.
O painel de azulejos da fachada da casa mais antiga de Lisboa
Na fachada da casa existe um painel de azulejos instalado no século XX, mas em estilo do século XVI ou XVII (seiscentista). Representa uma custódia ladeada por anjos e insere-se numa moldura de manganês sobre fundo branco.
Curiosamente, fala-se que essa peça podia ter sido reaproveitada de um frontal de altar seiscentista, colocado posteriormente no edifício como ornamento.
Este detalhe revela como o edifício não só é habitação, mas também um receptáculo de camadas históricas e artísticas.
Proporções e escala
A casa é relativamente pequena, o que fez com que tivesse menos impacto na sua época e menos intervenção posterior — e talvez por isso tenha sobrevivido. A modéstia de proporções ajudou à sua preservação.
Contexto urbano e vizinhança
Antigamente, a casa estava rodeada de outros edifícios com traças semelhantes; muitos foram demolidos na década de 1940, o que a deixou isolada entre construções de estilos posteriores.
Por isso, hoje ela destaca-se, não pelo tamanho, mas pelo contraste com o que a rodeia: Lisboa contemporânea versus habitação quinhentista.
Sobrevivência ao terramoto de 1755 e à reconstrução pombalina
O terramoto de 1 de Novembro de 1755, seguido de maremoto e incêndios, devastou grande parte de Lisboa. A maior parte dos edifícios anteriores ao terramoto foram destruídos ou demolidos durante as décadas seguintes, então o que resta dessas casas é raro. A casa na Rua dos Cegos, por isso, é uma exceção, tornando-se assim na casa mais antiga de Lisboa.
Porque conseguiu sobreviver?
Os motivos apontados incluem:
- A localização na colina mais alta de Lisboa (o que evitou parte do efeito maremoto ou da inundação).
- Os alicerces sólidos da construção, que resistiram ao abalo.
- O facto de ter uma estrutura relativamente simples e mais compacta, que talvez tenha sido menos vulnerável.
A reconstrução pombalina e as “renovações”
Depois do terramoto, a Marquês de Pombal liderou a reconstrução da cidade, sobretudo na Baixa, com novas malhas urbanas e edifícios resistentes. Muitas casas antigas foram demolidas ou integradas em novos corpos. O facto de esta casa não ter sido demolida ou radicalmente alterada torna-a ainda mais valiosa como testemunho arquitetónico.
O valor patrimonial e histórico
Ter sobrevivido tanto ao terramoto como às remodelações urbanas torna-a um ícone discreto, mas potente, da história de Lisboa. Visitá-la é quase tocar no passado, ver as marcas de uma Lisboa que existia antes do sismo e que continua viva.
Como visitar — Dicas práticas + Hotéis & Experiências recomendadas
Localização e visita
- Morada da Casa mais antiga de Lisboa : Rua dos Cegos, junto à Rua de São Tomé, bairro de Alfama, Lisboa.
- A casa está no meio de uma zona residencial e não é visitável, ou seja, uma visita pode limitar-se a observação exterior, já que a casa é uma habitação privada.
- Melhores momentos para visitar: manhã cedo ou final de tarde, para evitar as multidões. Aproveita o próprio bairro de Alfama para explorar os miradouros, as ruelas, o fado, o mar.
- Acesso: Alfama pode ser acedida a pé desde o centro de Lisboa, ou por elétrico/táxi. Leva calçado confortável, pois as ruas são íngremes.
- Hotéis recomendados
Onde ficar em Lisboa
Se estás a planear passar uns dias em Lisboa, estes são alguns dos hotéis que deves considerar:
Pousada de Lisboa: Localizada na Praça do Comércio, este hotel combina história e modernidade, oferecendo vistas deslumbrantes da cidade. Com 90 quartos sofisticados, o hotel destaca-se pelo seu restaurante RIB – Beef & Wine e uma variedade de comodidades, incluindo piscina interior e spa.
O mais interessante é que é possível visitar a sala onde Salazar reunia com os ministros.
Jupiter Lisboa Hotel: Localizado na Avenida da República, este hotel de 4 estrelas conta com quartos confortáveis e uma localização central. Ideal para quem deseja explorar Lisboa.
Myriad by SANA Hotels — hotel de luxo à beira do Tejo, com vistas incríveis e spa moderno.
EPIC SANA Marquês Hotel — cinco estrelas elegante, com rooftop e localização central junto à Avenida da Liberdade.
Hotel Príncipe Lisboa — ótima opção de 3-4 estrelas, perto do Parque Eduardo VII e do metro.
TURIM Lisboa Hotel — conforto e boa relação qualidade-preço, ideal para viagens de negócios ou lazer.
Lisbon City Hotel — opção acessível, moderna e bem localizada, a poucos minutos da Baixa.
Experiências e tours recomendados
Para tornar a visita ainda mais rica, aqui estão algumas atividades que podes reservar (também em formato afiliado):
- Excursão pelo melhor de Lisboa: Participa numa excursão a pé por Lisboa e descobre os ícones da cidade como o Rossio e a Igreja do Carmo. Prova uma pastelaria portuguesa e vive o dia a dia da cidade no Chiado, Baixa e Alfama.
- Fado ao vivo + jantar típico: O Mesa de Frades é um local icônico na “rota do fado” que oferece fado todas as noites em uma antiga capela com azulejos do século XVIII, com cantores novos e consagrados e um menu de jantar com sabores portugueses.
- Workshop de azulejaria: Inspirado nos painéis de azulejos da casa, cria a tua própria lembrança de Lisboa num workshop de azulejaria. Desenhar o teu padrão geométrico nunca foi tão fácil e divertido.
Sugestão de roteiro de meio dia passando pela Casa mais antiga de Lisboa
- Começa pela manhã com um café numa esplanada em Alfama.
- Caminha até à Rua dos Cegos e observa a casa mais antiga de Lisboa (leva tempo para apreciar os detalhes).
- Visita os miradouros próximos (ex: Miradouro de Santa Luzia ou Miradouro das Portas do Sol) para vistas sobre o Tejo e o bairro.
- Almoça num restaurante típico de Alfama.
- Tarde: reserva uma das experiências (fado ou workshop) ou simplesmente perde-te nas ruelas do bairro.
- À noite, relaxa no hotel sugerido e reflita sobre a história que tocaste.
Prepare a viagem
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A importância cultural e turística da casa mais antiga de Lisboa
Em muitos sentidos, a casa mais antiga de Lisboa é uma cápsula do tempo: aquilo que Lisboa era antes do terramoto, antes da Baixa pombalina, antes das grandes reconstruções. Visitar-la é conectar-se com uma Lisboa mais modesta, mais folgada, cheia de vidro nas águas, fumo de lareira, habitações simples.
Não é um palácio monumental nem um grande museu, é uma casa modesta, mas com valor. Isso mostra que o património não está só nos “grandes” edifícios, mas também na habitação comum, no urbano do dia-a-dia.
Incluir a casa mais antiga de Lisboa no roteiro turístico ajuda a dispersar o fluxo. Ao invés de só os grandes ícones, visitam-se também ruelas e casas. Isso favorece o bairro, gera protecção local, preservação.
Sobreviver a um dos maiores desastres naturais portugueses (o terramoto de 1755) e ainda hoje estar presente transmite uma mensagem potente: de resiliência, de identidade, de continuidade.
Para quem vive ou visita Lisboa, conhecer este tipo de “pequenos segredos” acrescenta profundidade à visita. Viajar também é isto, não apenas ver o Castelo, Belém ou as colinas do Tejo, mas também reconhecer que a cidade vive em camadas. Ver a casa mais antiga de Lisboa é ver uma camada a mais, que passa despercebida a muita gente.
Visitar a casa mais antiga de Lisboa é um pequeno acto de descoberta, nem sempre em grandes monumentos, mas nas esquinas silenciosas de um bairro antigo. Na Rua dos Cegos, em Alfama, esta casa quinhentista permanece como testemunha do passado, sobrevivendo ao terramoto de 1755, à evolução da cidade, às mudanças arquitectónicas.
Ao incluí-la no teu itinerário, não só estás a admirar uma fachada, mas a tocar a história viva de Lisboa. Completa a experiência com estadia num hotel recomendado e viver momentos autênticos, seja no fado ou num workshop de azulejo, e terás um fim-de-semana que alia cultura, charme e emoção.
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