Afonso Henriques foi trocado

D. Afonso Henriques foi trocado em bebé?

D. Afonso Henriques, filho de D. Henrique e D. Teresa, que se virou contra a sua mãe para fundar Portugal, talvez não fosse quem passou a ser. É um dos maiores mistérios da história de Portugal, mas será que D. Afonso Henriques foi trocado em bebé?

D. Afonso Henriques, figura central na história de Portugal, nasceu em meados do século XII, provavelmente entre os anos de 1109 e 1111. Era filho do Conde Henrique de Borgonha e de D. Teresa, filha do rei Afonso VI de Leão e Castela. O nascimento de D. Afonso foi um ponto de interesse e, posteriormente, gerou controvérsias devido às circunstâncias políticas e dinásticas da época.

D. Afonso Henriques foi trocado por ser deficiente?

Quando D. Afonso Henriques veio ao mundo, relatos históricos indicam que ele apresentava deficiências nas pernas. Essa condição é documentada nos registos da época. Curiosamente, após ser entregue ao seu tutor, Egas Moniz, durante os primeiros três anos de vida, ocorreu uma transformação notável: a criança, que antes enfrentava problemas físicos, pareceu desenvolver-se de forma muito saudável. Esta mudança intrigou alguns contemporâneos, levantando a suspeitas sobre a súbita recuperação de uma criança que nasceu com deficiências.

Essa notável transformação gerou especulações e rumores. Havia quem afirmasse que D. Afonso Henriques foi trocado pelo filho de um moleiro ou pelo próprio filho de Egas Moniz. Alguns indivíduos, especialmente adversários políticos, questionavam a legitimidade de D. Afonso Henriques, aproveitando-se da incerteza sobre a mudança surpreendente de uma criança inicialmente deficiente para um estado saudável. Tais dúvidas alimentavam a incerteza sobre sua verdadeira hereditariedade.

Além disso, havia rumores de que D. Teresa, sua mãe, não nutria um forte afeto por ele, talvez devido à incerteza sobre a sua relação materna, embora isso não seja confirmado. Porém, à medida que D. Afonso Henriques crescia, notáveis semelhanças com seu pai, o Conde Henrique de Borgonha, tornavam-se evidentes, reforçando a conexão familiar. Porém, o rumor de que D. Afonso Henriques foi trocado continuava.

A semelhança física marcante entre D. Afonso Henriques e o seu pai tornava difícil contestar a paternidade. No entanto, enquanto sua tia, D. Urraca, permaneceu viva, persistia a propagação desses rumores sobre a sua origem.

A possibilidade de troca de bebés, mesmo que inicialmente incerta, não pode ser descartada. O mistério que envolve essa questão permanece como um elemento intrigante na história de D. Afonso Henriques, um aspecto que adiciona camadas de mistério e fascinação à sua extraordinária jornada e à formação de Portugal.

A lenda de Santa Maria de Carquere

Reza a lenda que, depois de D. Afonso Henriques ter nascido com uma deficiência que dificultava o seu andar, por volta dos cinco anos de idade, Egas Moniz teve um sonho marcante.

Nesse sonho, a Virgem Maria apareceu ao tutor, revelando-lhe um caminho para a cura do menino. Ela indicou que D. Afonso Henriques seria curado se fosse encontrado um local específico onde uma igreja estivesse inacabada, e se o menino fosse colocado no altar dessa igreja. Movido pela fé e pela esperança de curar D. Afonso Henriques, o tutor seguiu as instruções da visão.

Assim que o local indicado foi encontrado e o menino colocado sobre o altar da igreja inacabada, um milagre ocorreu. D. Afonso Henriques foi curado miraculosamente, livrando-se da deficiência que o afligia.

Em gratidão pelo milagre concedido pela Virgem Maria, o local onde ocorreu a cura foi consagrado e transformado no Mosteiro de Santa Maria de Cárquere. Este mosteiro não só se tornou um local de devoção, mas também um monumento que memorializa o acontecimento milagroso e agradece à Virgem Maria pelo papel desempenhado na cura de D. Afonso Henriques.

Essa lenda, carregada de simbolismo religioso e histórico, continua a ser parte integrante do património cultural e espiritual de Santa Maria de Cárquere, enriquecendo a história e a devoção ligadas ao local.

Leia também

1 Comment

  1. Confesso que não conhecia a lenda.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.