Roteiro 3 dias na Beira Baixa
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Roteiro 3 dias na Beira Baixa: Entre os Museus e a Natureza

Castelo Branco, Vila Velha de Ródão e Proença-a-Nova foram os três concelhos visitados neste roteiro de 3 dias na Beira Baixa, a minha estreia nesta região encantadora. Foram três dias cheios. Agora, conto-vos tudo.

Para que tenha uma ideia do percurso percorrido, fiz um desenho com alguns dos locais visitados.

 Roteiro 3 dias na Beira Baixa
Roteiro 3 dias na Beira Baixa

Dia 1: Castelo Branco

O nosso roteiro de 3 dias na Beira Baixa começa por Castelo Branco, uma cidade acolhedora e cheia de encanto. Em primeiro lugar, caminhar pelas suas ruas silenciosas e repletas de história é uma experiência por si só. Além disso, existe um mural da artista plástica Rosária Bello, onde estão resumidos os encantos de Castelo Branco que temos de visitar. Por fim, os vários museus dão-nos a conhecer mais sobre a história da cidade e do concelho. Acima de tudo, não podemos deixar de visitar o Jardim do Paço Episcopal, um dos jardins mais bonitos do país.

Centro de Interpretação do Bordado

Centro de Interpretação do Bordado

No centro de Interpretação do Bordado é possível ficar a conhecer mais sobre esta tradição de Castelo Branco. Além disso, no local estão diariamente bordadeiras que nos mostram como nasce este tipo de peça.

Museu Francisco Tavares Proença Júnior

Museu Francisco Tavares Proença Júnior

De seguida, visitamos o Museu Francisco Tavares Proença Júnior que foi criado em 1910 pelo arqueólogo que lhe deu o nome. Reune grande parte do património cultural do concelho, com especial relevo para as coleções de Arqueologia, Têxteis bem como de Arte Sacra. Um dos núcleos principais do Museu é o da Arte Têxtil, em que predominam as colchas de Castelo Branco, tradicionalmente bordadas pelas raparigas solteiras para dar sorte no casamento. Além disso, o edifício alberga o Salão Nobre, um espaço que recebe diferentes eventos como concertos, palestras, jornadas e até jantares.

Jardim do Paço Episcopal

Roteiro 3 dias na Beira Baixa
Jardim do Paço Episcopal

Esta é provavelmente a imagem mais conhecida de Castelo Branco: O Jardim do Paço Episcopal. Sem dúvida um lugar mágico e cheio de segredos. Cheio de cantos e recantos, além das fontes e repuxos está repleto de estátuas com diferentes simbologias, como os signos, os santos e estações do ano. As estátuas dos reis de Portugal são as mais famosas. Os reis espanhóis que governaram Portugal durante a dinastia Filipina, também estão representando, porém num tamanho muito menor que os demais. Isto porque, embora “não seja possível apagar a história, podemos encolher certas partes”.

O mais curioso é que podemos ativar os jogos de água na Escadaria dos Reis com, por exemplo, o bater de palmas. O som certo – ou a vibração certa – no local certo ativa a água que surpreende os visitantes mais distraídos. Enfim, eu fui um dos visitantes distraídos, e sim, tomei um pequeno banho. Mas valeu a pena.

Dia 2: De Castelo Branco a Vila Velha de Ródão

Castelo Templário

Castelo Templário

O Castelo de Castelo Branco ou o Castelo dos Templários, data do século XIII e, atualmente, poucos elementos restam do castelo original. A Igreja de Santa Maria do Castelo no interior do castelo, por exemplo, está completamente descaracterizada devido a sucessivas reconstruções.

Erguido pelos Templários, provavelmente entre 1214 e 1230, terá sido feito à imagem de um outro erigido na atual Síria, em “Chastel Blanc”. Dessa forma, é possível que essa seja, de forma analógica, a origem do nome Castelo Branco. Apesar de estar claramente descaracterizado, continua a ser um local de visita obrigatória. Ainda mais, pela vista incrível para a cidade.

Museu Cargaleiro

Museu Cargaleiro

Um dos museus mais famosos da cidade, o Museu Cargaleiro é constituído por dois edifícios: o edifício histórico designado por “Solar dos Cavaleiros”, um palacete construído no século XVIII e um edifício contemporâneo do século XXI. No primeiro, podemos encontrar peças de cerâmica tradicionais, incluindo a denominada Cerâmica Ratinha, usada no quotidiano das populações rurais do século XIX.

A cerâmica contemporânea está presente no segundo núcleo, onde estão expostas peças de Pablo Picasso, Marc Uzan, Claire Debril entre outros. O espaço alberga também as obras das diversas fases de Manuel Cargaleiro e a exposição Cargaleiro e Amigos, onde são apresentadas diversas obras de amigos próximos de Cargaleiro.

Núcleo Museológico do Contrabando

 Núcleo Museológico do Contrabando - Perais
Núcleo Museológico do Contrabando – Perais

Já em Vila Velha de Ródão, visitamos o Núcleo Museológico do Contrabando na Junta de Freguesia de Perais. O pequeno núcleo aborda a história da freguesia da raia e a importância que o contrabando teve no relacionamento entre a comunidade portuguesa e espanhola, seja a nível económico, social ou cultural.

No local é possível ver vários objetos do quotidiano de uma época em que o contrabando era um importante meio de subsistência. Numa visita ao núcleo, é possível fazer uma verdadeira viagem a um tempo não muito distante, mas muito diferente do que vivemos atualmente. Logo depois de visitar o núcleo, tive a sorte de encontrar “um ex contrabandista”, que me contou a sua história numa das melhores conversas de sempre. Portanto, podem conhecer mais sobre esse assunto nesta publicação.

Gravuras Rupestres

Gravuras Rupestres

Depois de uma caminhada pelo Caminho da Telhada, fizemos um passeio de barco. Acabamos por sair do barco e visualizar as gravuras rupestres na margem.  Numa das gravuras mais emblemáticas é possível, por exemplo, identificar dois humanos a erguer um veado morto.

Dia 3: Proença-a-Nova

Centro Ciência Viva da Floresta

Roteiro 3 dias na Beira Baixa
Centro Ciência Viva da Floresta

Antes de tudo, devo confessar que este foi um dos locais onde mais me diverti. Ou seja, divertir a sério. Como uma criança a mexer em tudo. Presumo que seja o local ideal para crianças aprenderem enquanto brinco. Pelo menos, foi o que eu fiz. O Centro Ciência Viva da Floresta é um espaço interativo, com foco no tema florestas, capaz de conquistar miúdos e graúdos, da mesma forma que me conquistou a mim. Além de tudo, é uma excelente forma de ensinar de forma divertida.

No espaço é possível ficar a conhecer mais sobre as árvores, os seus aromas, além de mostrar como diferentes árvores dão origem a diferentes tipos de madeira. Além disso, é possível descobrir mais sobre as ameaças à floresta, como o caso dos incêndios.

Em contrapartida, no exterior do espaço é ainda possível visitar um charco, em fase de colonização, e observar as várias espécies de fauna e flora.

Museu Isilda Martins

Roteiro 3 dias na Beira Baixa -Museu Isilda Martins
Museu Isilda Martins

Criado por Isilda Martins, o museu – que tem o seu nome – reune objetos do quotidiano nas aldeias do concelho de Proença-a-Nova, como vestuário, alfaias agrícolas e outros utensílios datados da primeira metade do século XX.

Como resultado, o espaço recria vários cenários domésticos e de diferentes profissões e tem uma coleção muito interessante de roupas usadas na primeira metade do século XX em diferentes ocasiões, como as roupas de trabalho, de domingo e de luto. Em suma, é mais um museu de visita obrigatória para descobrir mais sobre o modo de vida na região.

Aldeia de Xisto de Figueira

Aldeia de Xisto de Figueira - Roteiro 3 dias na Beira Baixa
Aldeia de Xisto de Figueira

Este roteiro de 3 dias na Beira Baixa termina Aldeia de Xisto de Figueira, que tem atualmente 16 habitantes e preserva a memória de outros tempos. É uma daquelas aldeias mágicas, onde nos sentimos a viajar no tempo. Prova disso é o forno comunitário que ainda é usado para assar pão, cabrito ou o que for necessário. Além disso, ainda mantém as portas nas ruas, que fechavam a aldeia e a protegiam dos ataques de lobos. As casa estão “coladas” uma as outras. Ou seja, partilham a mesma parede. Isto porque, além de ficar mais barata a construção – já que poupavam uma parede – também era uma forma de proteção. Isto porque existiam portas internas entre as casa que eram usadas em caso de necessidade.

Passear pelas “quelhas” de Figueira é como fazer uma viagem no tempo. Voltar décadas. Atualmente, com a situação que se vive, os habitantes mantêm-se sobretudo dentro de casa, só saindo quando vai embora o último turista. A proteção continua a ser muito importante. Embora não existam lobos, com a pandemia há outros perigos a evitar. Apesar disso, a aldeia continua a funcionar de forma comunitária. Todos se ajudam. Todos limpam as ruas. A comunidade continua unida pelo bem comum.

Onde comer

Em Castelo Branco, tivemos oportunidade de jantar no restaurante Cabra Preta, onde podemos saborear o melhor da gastronomia regional e também da opção de tapas.

A cereja no topo do bolo, na aldeia de Figueira, é o restaurante Casa Ti Augusta, onde é possível degustar das melhores iguarias da região, incluindo o plangaio e a tigelada feita no forno comunitário, como nos velhos tempos. Joana casou-se com Fernando, um dos últimos bebés a nascer na aldeia – e já tem 36 anos – e abriu o restaurante naquela que era a casa da Ti Augusta. Agora, servem algumas das melhores iguarias locais e dinamizam uma das aldeias com menos população do país. Para desfrutar com calma.

Onde dormir

Em Castelo Branco, passamos a noite no Hotel Rainha Dona Amélia, com uma excelente localização.

Em Proença-a-Nova jantamos e passamos a noite no Hotel Rural da Catraia e fiquei com imensa vontade de voltar. Neste roteiro de 3 dias na Beira Baixa não tive oportunidade de explorar o espaço, mas é incrível. O hotel é encantador. E, claro, adoro o nome. Chegamos já à hora de jantar e, de manhã, saímos cedo. Por isso, não consegui ver calmamente o exterior. Mas percebi que tem uma piscina.

Os funcionários são super simpáticos e o espaço é lindo. Adorava voltar para aproveitar melhor o local. Por fim, o jantar e pequeno-almoço também foram incríveis. Achei super amoroso. No futuro, se surgiu oportunidade, espero lá voltar, sem dúvida.

Podem ver mais roteiros na Beira Baixa no site Beira Baixa Tour.

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2 Comments

  1. Hello 🙂
    Adorei este post… Venham dias melhores, mais liberdade e menos vírus para podermos viajar e divertir-nos.
    Beijinho

    1. Obrigada! Espero que sirva de inspiração! Melhores dias virão!!
      Beijinhos

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