Salinas da Figueira
Centro

Grande Rota do Mondego: Reservas, Castelos e Salinas

Depois da Grande Rota do Alva, tive oportunidade de conhecer um pouco da Grande Rota do Mondego (GR48), um percurso com 142 quilómetros de extensão, tendo o rio Mondego como presença constante.

Grande Rota do Mondego: Paul de Arzila 

Chegamos ao Centro de Interpretação do Paul de Arzila onde encontramos o vigilante da Natureza do ICNF que nos acompanhou na visita à Reserva Natural do Paul de Arzila. A reserva foi criada para proteger uma zona alagadiça de importância reconhecida internacionalmente na Ribeira de Cernache, junto ao Rio Mondego. Como a zona é muito húmida, é aconselhável o uso de calçado impermeável, uma vez que certas zonas estão completamente inundadas.

Ao longo da visita, que deve ser feita em silêncio, de forma a não assustar os animais, é um verdadeiro encontro profundo com a natureza em estado puro. A zona tem uma vegetação muito diversificada, que atrai um grande número de espécies animais.

Durante a visita, tivemos oportunidade de ver alguns ninhos de chapins e conhecer mais sobre a espécie. A nível de fauna, destaca-se o bunho, comum nas zonas húmidas, usada em diversas peças de artesanato, das quais se destacam aquelas que ficaram conhecidas como esteiras de Esteiras de Arzila. Algumas esteiras e outras peças feitas com bunho podem ver vistas no Centro de Interpretação do Paul de Arzila.

Castelo de Montemor-o-Velho

Depois do almoço no parque de merendas de Montemor-o-Velho, tivemos oportunidade de fazer uma visita rápida ao Castelo. Do alto do seu monte é possível apreciar a extensa e bela planície de arrozais do Baixo Mondego.

Castelo de Montemor-o-Velho
Castelo de Montemor-o-Velho

Grande Rota do Mondego: Rota das Salinas

A Rota das Salinas, na Figueira da Foz, tem 4,6 quilómetros e é um percurso circular, entre salinas seculares e tanques de pisciculturas. É um verdadeiro museu vivo para os amantes da natureza e das artes relacionadas com a cultura do sal.

A caminhada pode ser feita de forma autónoma, mas com um guia torna-se muito mais enriquecedora. Fomos acompanhados por Gilda Saraiva que, apesar de se ter formado em arquitetura, quis recuperar a ligação que a sua família teve, no passado, com a produção de sal e, hoje, trabalha no Núcleo Museológico do Sal. Tornou-se marnoteira ou marnota – nome dado a quem trabalha nas salinas – e é com paixão que nos passa o conhecimento ao longo da visita.

Salinas da Figueira
Rota das Salinas

Ao longo do percurso, podemos assistir ao processo e à “viagem” da água até ser transformada em sal. Gilda apresenta-nos as diversas plantas existente ao longo do caminho, como a salicórnia ou a gramata. Mostra-nos o junco que cresce junto à água e mostra-nos também naquilo que ele se pode transformar, já que ela própria cria artesanato a partir dele.

Artesanato de Junco
Artesanato de Junco por Gilda Saraiva

Além da flora, o local é também rico a nível de fauna e acabamos por nos cruzar com espécies como a garça-real, a andorinha-do-mar, o pato-real e, claro, os emblemáticos flamingos que calmamente passeiam pelo local.

Um dos factores que tornou a experiência ainda mais interessante, foi o facto de nos termos cruzado com dois trabalhadores – marnotos – a retirarem a água dos compartimentos da salina. É um trabalho duro, especialmente quando é feito debaixo de um sol abrasador.

Marnotos na Salina

O processo até ao produto final – o sal – é longo, é trabalhoso, mas é feito com alegria. Os dois marnotos fazem-no como se de uma dança sincronizada se tratasse, parando apenas para cumprimentar quem passa, com um sorriso na cara, de quem ama o que faz.

Núcleo Museológico do sal

No Núcleo Museológico do Sal é possível ficar a saber mais sobre cinco grandes temas: O que é o Sal; O Sal na Natureza; História do Sal em Portugal; A Tecnologia do Sal na Figueira da Foz e O Ciclo de Produção; e As Salinas e a Conservação da Natureza.

Também é possível assistir a um vídeo onde é mostrado todo o (longo) processo de produção do sal. Subindo ao topo do edifício é possível ter uma deslumbrante vista panorâmica sobre as salinas e ver os dois flamingos rosa,  em fibra de vidro, da autoria do escultor António Faustino.

Pastel de Tentúgal

Com a viagem pela Grande Rota do Mondego a terminar e já de regresso a Coimbra, nada melhor do que parar em Tentúgal para saborear um dos seus icónicos pasteis. Na pastelaria Moinho Novo, além de termos a oportunidade de comer o delicioso Pastel de Tentúgal, também podemos assistir à sua incrível confecção. Através de um vidro, podemos ver uma senhora pacientemente a estender a massa, de forma a que fique fina “como cabelos de anjo”, o que torna estes pastéis tão únicos e deliciosos.

De coração (e estômago) cheio, demos por termina esta viagem, com a certeza de que voltaremos.

A Cachopa visitou a Rota do Mondego a convite da Região de Coimbra. Ao longo da viagem fomos guiados, amparados e muito bem acompanhados pela Portugal Green Travel (obrigada Cláudia!).

Leia também

1 Comment

  1. O saber nunca ocupou lugar. Acredito que esta rota seja fascinante de percorrer. Grato pela partilha.
    .
    Uma semana feliz
    .

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.