{"id":3466,"date":"2025-09-22T15:42:08","date_gmt":"2025-09-22T15:42:08","guid":{"rendered":"https:\/\/acachopa.com\/?p=3466"},"modified":"2025-09-22T15:42:10","modified_gmt":"2025-09-22T15:42:10","slug":"drag-race-joana-vasconcelos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acachopa.com\/en\/drag-race-joana-vasconcelos\/","title":{"rendered":"Drag Race de Joana Vasconcelos: quando um Porsche se transforma num coche barroco"},"content":{"rendered":"<p>Joana Vasconcelos h\u00e1 muito que se afirma como uma das artistas contempor\u00e2neas portuguesas mais ousadas e reconhecidas internacionalmente. As suas obras frequentemente subvertem o quotidiano, recuperam tradi\u00e7\u00f5es artesanais e brincam com o sentido de escala, luz, cor, e cr\u00edtica social. Em 2023, Joana Vasconcelos apresentou <em>Drag Race<\/em>, uma das suas cria\u00e7\u00f5es mais surpreendentes: um <strong>Porsche 911 Targa Carrera<\/strong> transformado num coche barroco, num manifesto visual de fantasia, luxo e subvers\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Origem e inspira\u00e7\u00e3o de <em>Drag Race<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>A pe\u00e7a foi criada por Joana Vasconcelos em 2023 e apresentada no contexto da exposi\u00e7\u00e3o <strong>Plug-in<\/strong>, no MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia) de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia nasceu durante o per\u00edodo de confinamento da pandemia de COVID-19, um tempo de reflex\u00e3o, isolamento e regressos interiores, que Joana Vasconcelos utilizou tamb\u00e9m para explorar a tradi\u00e7\u00e3o portuguesa de talha dourada, o artesanato e as artes decorativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de partida est\u00e9tico-cultural, a artista inspirou-se em v\u00e1rios elementos t\u00edpicos da arte decorativa portuguesa:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O Mosteiro de Tib\u00e3es<\/strong>, em Braga, referido como o maior expoente dos motivos marinhos em talha dourada no pa\u00eds.<\/li>\n\n\n\n<li>The <strong>Coche dos Oceanos<\/strong> do Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, outra refer\u00eancia de opul\u00eancia, barroquismo e de maneiras exuberantes de decora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Com estas inspira\u00e7\u00f5es, Joana Vasconcelos prop\u00f4s reinventar o autom\u00f3vel, s\u00edmbolo moderno de status, velocidade e consumo, revestindo-o de uma ornamenta\u00e7\u00e3o barroca, plumas vermelhas que contrastam de forma irreverente com o chassi do Porsche, e tecido, douramento, cinzelagem e detalhes manuais que remetem para carruagens reais do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Materiais, t\u00e9cnica e execu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de <em><a href=\"https:\/\/www.joanavasconcelos.com\/pt\/artwork\/drag-race\" target=\"_blank\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.joanavasconcelos.com\/pt\/artwork\/drag-race\" rel=\"noreferrer noopener\">Drag Race<\/a><\/em> envolveu um conjunto grande de t\u00e9cnicas artesanais, bem como a colabora\u00e7\u00e3o com mestres artes\u00e3os portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Objeto base: <strong>Porsche 911 Targa Carrera<\/strong>. <\/li>\n\n\n\n<li>Dimens\u00f5es: cerca de <strong>160 \u00d7 220 \u00d7 490 cm<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>Materiais usados: talha de madeira de t\u00edlia esculpida, folha de ouro para douramento, plumas de avestruz, revestimentos em pele gravada, metal cinzelado, tecido ETRO. <\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Ricardo Esp\u00edrito Santo Silva (FRESS) teve papel fundamental na obra de Joana Vasconcelos, com os artes\u00e3os para trabalhar a madeira (tratamento, entalhe), douramento, cinzelagem, grava\u00e7\u00e3o, tudo com tradi\u00e7\u00e3o portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O contraste \u00e9 forte: de um lado, a modernidade e o \u00edcone autom\u00f3vel; do outro, o luxo barroco, o artesanato antigo, os ornamentos exuberantes, as plumas, o dourado. \u00c9 uma uni\u00e3o deliberadamente dissonante, que convida \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, ao espanto e \u00e0 cr\u00edtica: sobre consumo, sobre poder, sobre tradi\u00e7\u00e3o vs modernidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Significado e simbolismo<\/h2>\n\n\n\n<p><em>Drag Race<\/em>, de Joana Vasconcelos, assume-se como um manifesto visual, n\u00e3o apenas um objeto decorativo. Alguns dos seus temas\/msgs mais vis\u00edveis:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Excesso e poder<\/strong><br>O autom\u00f3vel, especialmente um Porsche, j\u00e1 carrega consigo um simbolismo de status, velocidade, luxo. Ao transform\u00e1-lo num coche barroco ricamente ornamentado, Joana Vasconcelos exacerba esse sentido, tornando-o quase teatral, quase carnavalesco. A obra questiona o que consideramos luxo, poder ou prest\u00edgio. <\/li>\n\n\n\n<li><strong>Tradi\u00e7\u00e3o artesanal vs cultura de consumo<\/strong><br>A aposta pesada de Joana Vasconcelos na talha dourada, madeira esculpida, coroas de plumas, trabalho manual fin\u00edssimo, tudo isso contrasta com a natureza industrial do carro; coloca lado a lado a manufatura tradicional com o produto de massa e o objeto de luxo. H\u00e1 uma homenagem ao fazer manual, aos art\u00edfices de antigamente, mas tamb\u00e9m uma cr\u00edtica ao consumo exuberante e \u00e0 ostenta\u00e7\u00e3o institucional. <\/li>\n\n\n\n<li><strong>Transgress\u00e3o e fantasia<\/strong><br>O uso de plumas vermelhas, os detalhes barrocos exagerados, a sensa\u00e7\u00e3o de que o Porsche est\u00e1 vestido como se fosse parte de um carro de cortejo ou de uma corte antiga: h\u00e1 aqui uma dimens\u00e3o l\u00fadica, carnavalesca, uma fantasia consciente. O t\u00edtulo <em>Drag Race<\/em> remete tamb\u00e9m a corridas e ao universo do dra: performance, exagero, identidade, espet\u00e1culo. <\/li>\n\n\n\n<li><strong>Identidade cultural<\/strong><br>A pe\u00e7a \u00e9 portuguesa nas suas refer\u00eancias mais profundas, como o Mosteiro de Tib\u00e3es, Museu dos Coches, tradi\u00e7\u00e3o barreirista, artes decorativas nacionais, mas fala universalmente sobre luxo, arte, poder, performance, identidade, tradi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exposi\u00e7\u00e3o e visibilidade<\/h2>\n\n\n\n<p><em>Drag Race<\/em> esteve patente em <strong>Plug-in<\/strong>, a retrospetiva de Joana Vasconcelos no MAAT, Lisboa, que reunia obras-chave dos seus \u00faltimos 20-30 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, entrou na mostra <em>Drag Race \u2013 A Transgress\u00e3o do Barroco<\/em>, no Museu de Artes Decorativas da Funda\u00e7\u00e3o Ricardo do Esp\u00edrito Santo Silva (FRESS), no Largo das Portas do Sol, Lisboa. A exposi\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 aberta at\u00e9 30 de novembro, segundo os an\u00fancios.<\/p>\n\n\n\n<p>Este novo local de exibi\u00e7\u00e3o oferece uma experi\u00eancia diferente: na FRESS, al\u00e9m de ver a obra final, o visitante pode acompanhar o processo criativo, desde a ideia inicial at\u00e9 \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, desconstruindo o resultado para perceber as camadas de trabalho artesanais. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O impacto e a recep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica<\/h2>\n\n\n\n<p>A recep\u00e7\u00e3o de <em>Drag Race<\/em> tem sido muito positiva, tanto por parte da cr\u00edtica de arte como pelo p\u00fablico:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Muitos destacam o humor e a ironia da pe\u00e7a: o contraste entre o carro moderno e a ornamenta\u00e7\u00e3o barroca provoca surpresa, riso e uma esp\u00e9cie de fascina\u00e7\u00e3o. A obra desperta admira\u00e7\u00e3o pelos detalhes minuciosos e pelo trabalho artesanal implicado.<\/li>\n\n\n\n<li>Outros apontam para o valor simb\u00f3lico: a reconcilia\u00e7\u00e3o entre tradi\u00e7\u00e3o portuguesa e cultura contempor\u00e2nea de consumo, questionando quem s\u00e3o os \u201cdonos do luxo\u201d e como o poder hist\u00f3rico se manifesta hoje em objetos e s\u00edmbolos.<\/li>\n\n\n\n<li>Tamb\u00e9m se fala de <em>Drag Race<\/em> como uma obra de afirma\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas tradicionais portuguesas, que em muitos casos correm o risco de se perder, como a talha dourada, o douramento \u00e0 folha de ouro, o entalhe de madeira.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a obra atraiu p\u00fablico para os espa\u00e7os onde est\u00e1 exibida, contribuindo para dar visibilidade \u00e0 arte contempor\u00e2nea portuguesa e ao artesanato tradicional revitalizado. Foi not\u00edcia em v\u00e1rios media nacionais e internacionais, tornando-se uma das \u201cselfies spots\u201d mais falados no Instagram, com pessoas fascinadas por ver aquele Porsche transformado num coche. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"564\" height=\"567\" src=\"https:\/\/acachopa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/drag-race-joana-vasconcelos.png\" alt=\"Drag Race de Joana Vasnconcelos\" class=\"wp-image-3468\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/acachopa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/drag-race-joana-vasconcelos.png 564w, https:\/\/acachopa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/drag-race-joana-vasconcelos-298x300.png 298w, https:\/\/acachopa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/drag-race-joana-vasconcelos-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cr\u00edticas e poss\u00edveis leituras alternativas<\/h2>\n\n\n\n<p>Como qualquer obra provocadora, <em>Drag Race<\/em> tamb\u00e9m suscita reflex\u00f5es cr\u00edticas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Alguns poder\u00e3o ver na pe\u00e7a uma certa ostenta\u00e7\u00e3o que repete os mesmos s\u00edmbolos de poder que critica. Ou seja: at\u00e9 que ponto a transforma\u00e7\u00e3o do carro em objeto barroco n\u00e3o glorifica o luxo em vez de ironiz\u00e1-lo?<\/li>\n\n\n\n<li>Outros perguntam-se sobre sustentabilidade: um carro convertido em obra de arte implica uso de materiais nobres, t\u00e9cnicas custosas e uma pegada de produ\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel. Qual o custo ambiental ou energ\u00e9tico de tais projetos?<\/li>\n\n\n\n<li>Tamb\u00e9m h\u00e1 quem discuta se a arte moderna se torna demasiado dependente de choque visual e espet\u00e1culo \u2014 se obras como <em>Drag Race<\/em> \u201cfuncionam melhor\u201d na era das redes sociais porque geram impacto visual imediato.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contexto da obra na carreira de Joana Vasconcelos<\/h2>\n\n\n\n<p><em>Drag Race<\/em> insere-se numa trajet\u00f3ria art\u00edstica que j\u00e1 inclui dezenas de projetos ambiciosos, muitas vezes com objetos do quotidiano transformados em instala\u00e7\u00f5es monumentais ou interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas: carros antigos cobrindo-se de materiais inesperados, esculturas monumentais feitas de tecidos, luzes ou objetos reutilizados. <\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, Joana Vasconcelos tem explorado a tens\u00e3o entre o \u201cfeito \u00e0 m\u00e3o\u201d e o objetual moderno, entre tradi\u00e7\u00e3o portuguesa (t\u00e9cnicas artesanais, bordados, tape\u00e7arias, sorriso barroco) e a cultura global de consumo, espet\u00e1culo, imagem. <em>Drag Race<\/em> continua essa linha, mas talvez de modo mais expl\u00edcito, concentrando a aten\u00e7\u00e3o num objeto que j\u00e1 \u00e9 \u00edcone do luxo: o Porsche.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a obra mostra a maturidade da artista: n\u00e3o \u00e9 apenas um exerc\u00edcio formal, mas uma pe\u00e7a que congrega muitos elementos, como hist\u00f3ria, artes decorativas, tradi\u00e7\u00f5es regionais, cr\u00edtica social, est\u00e9tica exuberante, de maneira muito consciente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como visitar <em>Drag Race<\/em> e onde v\u00ea-la<\/h2>\n\n\n\n<p>Se estiveres em Lisboa ou a planear uma viagem, eis algumas informa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Local da exposi\u00e7\u00e3o: Museu de Artes Decorativas Portuguesas \/ Funda\u00e7\u00e3o Ricardo do Esp\u00edrito Santo Silva (FRESS), Largo das Portas do Sol, Lisboa. <\/li>\n\n\n\n<li>At\u00e9 quando estar\u00e1 patente: at\u00e9 <strong>30 de novembro<\/strong> (segundo os an\u00fancios mais recentes). <\/li>\n\n\n\n<li>Hor\u00e1rios: de quarta a segunda-feira, tipicamente das 10h \u00e0s 17h (verificar site oficial para confirmar). <\/li>\n\n\n\n<li>O visitante poder\u00e1 ver n\u00e3o s\u00f3 o <em>Drag Race<\/em> terminado, mas tamb\u00e9m partes do processo criativo, dependendo da exposi\u00e7\u00e3o \u2014 como maquetes ou trabalho dos artes\u00e3os.<\/li>\n\n\n\n<li>Visitar o Museu tem custos, por\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel ver o Drag Race de forma gratuita. <\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Se estiveres em Lisboa antes de 30 de novembro, recomendo vivamente ver <em>Drag Race<\/em>, de Joana Vasconcelos. \u00c9 uma oportunidade de experienciar n\u00e3o s\u00f3 algo belo, mas algo que provoca: que te faz olhar duas vezes, que te faz pensar, sentir, questionar. Esta \u00e9 uma das obras que mostra por que Joana Vasconcelos \u00e9 uma das figuras centrais da arte contempor\u00e2nea lus\u00f3fona e para al\u00e9m dela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ver mais artigos sobre o que <a href=\"https:\/\/acachopa.com\/en\/category\/viajar\/lisboa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">visitar em Lisboa<\/a>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joana Vasconcelos h\u00e1 muito que se afirma como uma das artistas contempor\u00e2neas portuguesas mais ousadas e reconhecidas internacionalmente. 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